terça-feira, 26 de maio de 2009

Pesca da Tainha




A pesca da tainha é uma tradição que ocorre entre maio e julho em quase todo litoral Catarinense, aproximadamente entre Barra Velha e Laguna. Nas praias são improvisados acampamentos para uma constante vigília do mar. Na areia são instaladas placas informando que é proibido o surfe, a natação, a pesca, esportes à vela ou motorizados e os mais antigos defendem que deveria ser proibido também passear pela areia mulher grávida, cachorro, além de fazer fogueira e barulho.
A pesca da tainha de forma artesanal é muito importante para os pescadores. Desta atividade provém o sustento de muitas famílias. A participação de toda comunidade é sempre bem vinda e importante na hora de puxar a rede. Ao final do “lanço” (lance) todo peixe é dividido. Cada um ganha seu “quinhão”, como é chamada a quantia de tainhas distribuídas. São vários os protagonistas desta pesca praticada com redes de cerco: O ajudante, O camarada, O remeiro, O vigia ou olheiro, O patrão e O dono do barco.
Na hora de comprar uma tainha é importante que seja verificado se a guelra está bem vermelha, os olhos, o mais translúcidos e brilhantes possíveis e as escamas firmes. Não esqueça de pedir a moela e o fígado, que bem fritos ficam uma delícia. Lembre-se que a ova da tainha tem cor alaranjada bem forte, cuide para não confundir com a ova do peixe Abrótea que é um tom bem mais claro.
A matéria de hoje teve a importante colaboração do Sr. Lazaro Bregue Daniel, pescador de Florianópolis e aluno do curso Técnico em Cozinha do IFSC (Instituto Federal de Educação Científica e Tecnológica de Santa Catarina).
Dicas:
· Fazer filé de tainha. Ao sair a pele, sai também a gordura que fica entre a carne e a pele, desta forma, o sabor da carne consegue se pronunciar e não o da gordura.
· Assar envolta em papel alumínio ou em forno combinado na função combinada, desta forma garante-se uma carne suculenta.
· Retirar toda a gordura que fica dentro da barriga atrás de uma fina membrana.



quinta-feira, 14 de maio de 2009

Crônicas Gastronomicas...

Cheiros, Aromas, Perfumes
Cheiro, aroma, olor, fragrância, perfume... diversos são os nomes que podemos dar aos odores. Voláteis, eles entram pelas cavidades nasais, são percebidos pelas partículas odoríferas e rapidamente percorrem um caminho estreito até nossos pulmões, se espalham por todo o corpo e fazem o cérebro emitir lembranças, sonhos e múltiplas sensações que imediatamente são sentidas na alma.
Os receptores olfativos nos nossos narizes conseguem distinguir entre milhares de odores diferentes, e calcula-se que contribuam com 80% do sabor. Este número faz sentindo se você lembrar de quando fica resfriado com a respiração obstruída. A comida fica sem gosto, não é mesmo? Isso se da em função da boca e o nariz serem interligados, de modo que as moléculas gasosas liberadas na boca pela mastigação conseguem subir pela cavidade nasal. Além do mais, o ato de engolir provoca um vácuo parcial na cavidade nasal, que leva o ar da boca para o nariz.
O cheiro é assim mesmo, aparece de supetão, é incolor e impalpável, por isso sempre nos pega desprevenidos e desprotegidos, sem pedir licença nem, por favor. Algumas vezes o cheiro pode ser desagradável, ruim, péssimo e até horrível. Tem o poder de desencadear em nós a sensação de querermos fugir, sair correndo, ou melhor, nos faz desejar que a “catinga” desapareça. Estes são os nomes dados aos cheiros ruins: catinga, fedor e cheiro ruim.
Tem os cheiros que são ruins, mas não “tão” ruins assim!!! Como o de uma fornada de pão queimado, por exemplo, deixando o ar pesado, contaminado, amargo, enfumaçado e agressivo. Tem também o cheiro do chucrute fresquinho, que não agrada a qualquer um, o cheiro da carne crua, do leite talhado e do queijo gorgonzola. Estes odores nos incomodam, mas com certeza sempre provocam alguma sensação ou registro.
Têm também os cheiros “clichês” que são os de grama cortada, chuva, terra molhada, cheirinho do mar, café recém passado, padaria, cobertor aquecido pelo sol, amaciante de roupa, cheirinho de carro novo, de banco ou jaqueta de couro, entre muitos e muitos outros. Mas não pensem que só porque são clichês tem menos valor, não, são tão marcantes como qualquer cheiro exótico, nos trazem tantas emoções, recordações, como todos os outros cheiros.
E o cheiro-verde? Desde quando cheiro tem cor? Não, meus amigos, este é o nome dado ao maço de temperos frescos que são oferecidos juntos. Geralmente fazem parte dele a salsinha, a cebolinha verde e a alfavaca.
O perfume tem a capacidade de trazer pra perto o que está distante, de anunciar quem chega ou de fazer lembrar quem se foi.
Quando uma pessoa escolhe um perfume, geralmente opta por aquele que a faz suspirar, sonhar, que a envolve em uma nuvem de bons fluídos e sensações agradáveis. A fragrância deste perfume por sua vez, deixa vestígios por onde é exalado, deixa um rastro, dando pistas aos interessados, da personalidade, intenções e originalidade, peculiaridades estas da pessoa que banhou-se com este bálsamo.
Uma das primeiras associações entre olfato e prazer que o ser humano percebe, acontece assim que chegamos a este mundo. O cheirinho de comida boa é detectado assim que o bebê chega ao colo da mãe. O leite que jorra, exala um aroma delicioso e irresistível, aguçando os sentidos deste ser tão pequeno e desprovido de conhecimentos gastronômicos, mas que intuitivamente sabe que uma deliciosa refeição está por acontecer. Eu mesma tenho uma afilhada, de quase dois anos, que não pode sentir o cheirinho do leite que se agarra no titi da mãe.
O tempo vai passando os bebês crescendo.... e quem não se lembra da deliciosa sensação de voltar pra casa após a escola e ao abrir a porta ser arrebatado por um cheiro muito bom da comidinha de casa? Ah, bons tempos aqueles! Talvez este ainda seja um dos maiores motivos para o sucesso dos almoços de domingo na casa dos pais.
Cheirinho de comida boa, principalmente quando estamos com fome, é covardia! Quem já não se sentiu completamente envolvido e também confuso, em função da grande variedade de cheiros, ao subir pelo elevador de um prédio repleto de moradores com suas cozinhas funcionando a mil por hora, bem pertinho do meio-dia?
Ah, esta sensação está incidindo sobre mim agora mesmo, estou sendo extasiada por um maravilhoso aroma vindo da minha cozinha, gostaria de resistir, mas não tenho forças, sinto-me envolvida neste ambiente rico em cheirinhos bons, lembranças, crenças, expectativas, saberes, sabores e não vou mais me prender aqui à estas palavras, vou logo preparar meu prato! Tchau!

Nomes estranhos de restaurantes

Este é um espaço reservado para quem quiser contribuir com o nome e a foto do letreiro do estabelecimento que tenha nome estranho, esdrúxulo ou que não tenha nada a ver com gastronomia.

Dê sua contribuição me enviando um e-mail!
michellekormann@hotmail.com